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No rastro do Capitão

Terça-Feira, 28 de Julho de 2009 às 14:13:10



Volta e meia eu me deparo com o Cangaço! Lampião, Maria Bonita, Coitos, Volantes e este universo absurdo e fantástico que é o Cangaço. Neste mês estou reproduzindo algumas peças do casal mais famoso e também mais fashion do sertão na capital das Alagoas.
Nesta semana em Maceió, vou concluir o trabalho, fotografando jóias, armas e roupas do Capitão Virgulino Ferreira e seu bando. Na última semana em Recife, pude de novo ter contato com vários objetos pessoais de Maria Bonita e Lampião.
Eu comecei a entender melhor o cangaço em 94 participando do filme Baile Perfumado de Paulo Caldas e Lírio Ferreira. O consultor do filme foi o pesquisador, historiador e escritor Frederico Pernambucano de Mello, autoridade máxima no assunto. Dessa aproximação com Frederico nasceu uma amizade e uma relação de trabalho que dura até hoje. Volta e meia eu recebo um convite para fotografar uma nova peça de sua impressionante coleção ou produzir material para catálogos e livros.
Agora Frederico prepara seu novo livro “A Estética do Cangaço”, e lá estou eu de novo no rastro do capitão. Há alguns anos, Frederico me chamou para ajudá-lo a abrir uma caixa onde estava o equipamento original de Benjamim Abrahão, o libanês que filmou e fotografou Lampião e seu bando na imensidão do sertão. O equipamento fora confiscado pela censura do Estado Novo, e desde então não havia sido manuseado. A velha Kodak ainda possuía um filme 120 velado em seu corpo. Abri a caixa, limpei a câmara, e por alguns momentos eu me senti parceiro e cúmplice daquele que protagonizou uma das histórias que me fascina até os dias de hoje.
Os bordados dos bornais e das roupas, as armas, o pequeno punhal de Maria Bonita, o lenço de pescoço em Tafetá, o perfume Fleur D’amour e o cortador de charutos de ouro puro. Objetos de um Dandi francês. Um homem que bordas flores em uma velha Singer na beira de uma cachoeira dentro de um lajedo no meio do sertão. E pensar que este homem matou friamente quem a ele se opôs. Centenas de mortes. Está aí a contradição que transforma uma história terrível em aventura fantástica.
Acima, uma foto da Grota de Angicos, um leito de rio seco no médio São Francisco, estado de Sergipe. Foi lá, onde tombou o Capitão Virgulino, sua Maria Bonita e alguns comparsas do bando. A foto é de 1994.






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Zé Claudio

Segunda-Feira, 27 de Julho de 2009 às 14:20:19



Estamos na reta final do livro do artista José Claudio. Tenho tido a agradável possibilidade de conhecer melhor a sua obra, o que já é muito especial. Se pudesse resumir o que penso do trabalho dele eu diria das pinceladas selvagens e dos retratos das prostitutas do bairro do Recife na década de 1980. A cada tela deste tema eu me surpreendo. Ele é sem dúvida um dos grandes pintores vivos no Brasil. Em novembro teremos o lançamento do livro e uma mega exposição no Museu do Estado.
A foto acima é um retrato do artista de frente a tela em branco. O resto só no livro!






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É tudo verdade!!!!

Segunda-Feira, 27 de Julho de 2009 às 13:15:21








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Xico Sá

Segunda-Feira, 27 de Julho de 2009 às 13:14:44








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O Prêmio Nobel...

Segunda-Feira, 27 de Julho de 2009 às 13:14:07



Eu decidi ser fotografo porque era muito mais divertido que ser repórter. Como redator melhor falando, eu seria um “setorista” e depois de algum tempo estaria enfadado, como de fato aconteceu depois de 12 meses em que defendi a camisa do Caderno C do JC. Eu me sentia mais a vontade com a câmera. Achava, e ainda acho que ver o mundo através das lentes, é uma boa forma de refletir e tentar entendê-lo. Além de não ficar restrito à incansável caça da verdade. Considero-me cada vez menos um militante das verdades absolutas.
Conhecer pessoas, lugares e histórias, sempre foram as minhas grandes aspirações. E rodando por aí eu fiz grandes amigos. Com eles eu viajei e aprontei muito, vivi um bocado de histórias maravilhosas, algumas maluquices e alguns poucos aperreios.
No final dos oitenta, quando finalmente expulsamos a ditadura de nossas vidas, o humor passou a ser quase uma obrigação. Dois jornais fizeram época no Recife: O “Príncipe” e o “Rei da Notícia”. O “Príncipe” era dirigido aos secundaristas e universitários, era abusadissimo, e a sua redação era pilotada por Denise Arcoverde, Aninha Santa Cruz, Xico Sá, o designer Helder Aragão (atual DJ Dolores), Renato L e Docktor Mabuse. Já o “Rei da Notícia” era mais anárquico e muito mais provocador, e era consumido por um publico mais velho. Clériston e Paulo Santos eram os editores e eu que tinha largado o JC, virei o fotografo destes periódicos e de mais uma dezena de jornaizinhos de sindicatos. Eu ia me virando bem como fotografo e apesar da dureza, a vida era muito divertida.
Num dia perdido nos anos, eu fui fotografar pro “O Rei da Notícia” uma matéria maluca com o impagável Xico Sá. Era sobre a máfia dos caixões de defuntos que atuava dentro do Hospital da Restauração, aqui mesmo no Recife. A gente rodou pra lá e pra cá e nada de fotos. Fomos à tradicional Casa Agra, homenageamos Augusto dos Anjos, e nada de fotos contundentes para o peso de tamanha denuncia.
Foi quando decidimos que o repórter deveria vivenciar a matéria mais plenamente, e se não era adequado morrer para tirar a prova dos nove, que tal uma sublimaçãozinha e um pouco de teatro do absurdo? Já que o “Rei” permitia todo tipo de devaneios, fomos até a funerária de Jorge Baleia e alugamos um caixão com direito a cortejo saindo pela Avenida Caxangá. Dentro da ultima morada, fazendo pouco do destino e desafiando a indesejada das horas, o poeta Xico Sá se aboletou a ler seu último lançamento – o livro de poemas “Paixão Roxa” e saímos pelo sol a pino do Recife. O transito parou!
Xico Sá era poeta de haicais sensacionais, inspirado em Paulo Leminsky e Nicolas Behr, eletrizava platéias de congressos, seminários e todo tipo de solenidade em que ele pudesse ter acesso ao microfone. Já conhecido na cidade, pelo menos na nossa compreensão do que era a cidade que valia, ele se lançou numa campanha para receber o Prêmio Nobel de Literatura. As ações da campanha eram cada vez maiores e mais ousadas, coisa de deixar no chinelo, publicitários, marqueteiros e artistas contemporâneos. Num jogo do Brasil no estádio do Arruda lotado, de repente estava lá a faixa estendida: Nobel Para Xico Sá!! Nos comícios das “Diretas, Já!”, num domingão de praia lotada... A coisa era séria!
Em outro numero do mesmo Rei da Notícia, fomos entrevistar com a Vidente, Cartomante, Taróloga e Consulente Irmã Marlene, em sua tenda no bairro da Boa Vista. Ela fez suas previsões sobre economia, política, quem ganharia a próxima Copa do Mundo, quem morreria naquele ano, que, seria o governador, e por fim, a última e mais esperada questão: Xico perguntou se o destino lhe traria o tão desejado Prêmio Nobel de Literatura... Depois de grande suspense e alguns segundos de silêncio, ela segurou a mão do poeta em cima da magnífica bola de cristal, e olhando nos olhos, garantiu que a honraria já estava a caminho!
Já faz um punhado de anos que estivemos com a Irmã Marlene, mas sempre que está pra sair o anúncio do Nobel, me dá um friozinho na barriga. Será desta vez que o Xico vai levar o caneco?????






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Ronildo Maia Leite!

Terça-Feira, 07 de Julho de 2009 às 19:35:41



No final da manhã de ontem recebi a notícia do falecimento do jornalista Ronildo Maia Leite. Sabia que ele estava doente, mas notícia de morte sempre deixa um sentimento de lembrança muito forte. Eu conheci e convivi com Ronildo no Jornal do Commércio no final dos anos 1980. Depois disto eu pouco o vi, e de fato eu fui me afastando do jornalismo local.
Lembro dele como um jornalista inquieto e provocador. Apesar da idade, ele parecia um garoto. Vivia nos provocando a fotografar a alma das coisas, das pessoas, da cidade. Eu diria que era o jornalista mais instigado que eu conheci.
No JC ele editava o jornal de segunda. Por que antes disso, não havia jornal na segunda. Isso mesmo! Não circulava jornal na segunda-feira. Era uma meia folga no domingão, limpar a rotativa, essas coisas que o mundo moderno aboliu.
Pois ele chegou pra fazer o tal jornal de segunda. Era outra equipe, a equipe de Ronildo, mas depois de um tempo a gente se misturou e ele vivia perturbando a gente: “Cadê foto boa, porra!” Dizia ele quando me via. Eu achava graça com admiração daquele senhor sempre de boina.
Um dia Beto Rezende me deu uma foto. Uma super foto. A gente tinha saído da redação do JC, ali na Rua do Imperador em direção ao Palácio do Campo das Princesas, conversando sobre rock’nroll, quando Beto me mostrou a estatua do Conde da Boa Vista. “Olha lá, Fredão! As abelhas tão comendo o Conde”! Eu fiz uma série de fotos, e depois de reveladas, passei pra Luzanira. Todo mundo achou interessante, mas não tinha espaço no jornal. Alguns dias depois, Ronildo me viu e puxando pelo braço foi logo dizendo: “Finalmente uma foto boa! Vou chamar Leonardo Dantas pra fazer um texto. Sai segunda, compre o jornal, retratista”!
Pra minha surpresa, era a ultima pagina do primeiro caderno. Uma linda pagina gráfica, várias fotos, detalhes, ambiente geral, e o Título em cinco colunas: O RECIFE SEGUNDO FRED JORDÃO. Foi uma das maiores alegrias que eu senti até hoje. Aquele cara fazia um jornalismo diferente, quase irresponsável, romântico, emocional, “um jornal da Porra”, como ele dizia. A morte de Ronildo é pra mim um pouco do fim de um tempo. De quando fotos eram abertas em quatro e cinco colunas, de quando ainda achávamos que iríamos ganhar a guerra por espaço com o comercial.
Jamais vou esquecer aquele velhinho desbocado com jeito de menino! Valeu camarada!!!!






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Um postal para um amigo!!!!

Segunda-Feira, 06 de Julho de 2009 às 17:14:09



Um Postal para um Amigo! Este é um dos meus blogs favoritos. Poderia dizer que visito “Um Postal” quase todos os dias a um bom tempo. Outro blog especialíssimo é o da portuguesa Madalena Lello intitulado Sais de Prata e Pixel. Recentemente, incluí o blog do Pedrão Martinelli e o “Olha, vê” do Alexandre Belém nesta lista. Sais de prata e Um postal trazem reflexões sobre o fazer, os signos e significados da fotografia. São duas pessoas que não conheço pessoalmente, mas já sinto uma enorme admiração pelo que escrevem.
Uma coisa curiosa é que nos dois blogs, é que não há nenhuma informação sobre quem são, o quê fazem e onde estão estas duas moças. Isto não é comum neste mundo de tantas vaidades!
Recentemente, a carioca Meg Rodrigues que pilota “um postal para um amigo” escreveu um texto sobre meu trabalho em seu site. Fiquei muito honrado e divido com vocês este endereço.

mailto:http://umpostalparaumamigo.blogspot.com/2009/06/fred-jordao.html






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Aos que partiram para a eternidade...

Segunda-Feira, 06 de Julho de 2009 às 15:53:00



A semana que passou ficou marcada pelo desaparecimento de três ícones de minha juventude. Michael Jackson, Farrah Fawcet e o Kodachrome. Michael ainda não parou de zumbizar pelas telas de TV, é o defunto do momento, quiçá do ano. Pensei que os apresentadores do Jornal Nacional iriam cair no choro num dia destes, e logo depois vem aquela dancinha infame da novela indiana... O mundo realmente é muito absurdo!
Farrah foi um símbolo sexual que morava nos banheiros de todos adolescentes da minha geração. Era americana demais pro meu gosto, muito peito, pouca bunda. Mas era uma potencia, ainda por cima era casada com o homem de seis milhões de dólares.
Pra mim, a grande perda, muito mais simbólica, foi o Kodachrome. Objeto de desejo de muitos fotógrafos. Tinha uma enorme restrição, pois ele não era vendido no Brasil. Só se comprava em viagens internacionais. Era caro e no preço estava embutida a revelação. Quando você acabava de rodar o filme, enviava pra Kodak e eles revelavam e devolviam numa caixinha amarela. Tudo via correio. Confesso que usei muito pouco, era operacionalmente complicado. Mas, era um símbolo de status. Você com um kodachrome na bolsa já se sentia um fotógrafo da National Geographic, um fotografo internacional. E isto não era garantia de grandes fotos. Os filmes “cromo” eram mais difíceis de operar. Dois stops de erro e adeus foto. Além de serem sempre muito caros.
Os meus filmes “cromo” preferidos eram da Fuji. Enquanto os da Kodak ressaltavam os amarelos e magentas, os Fuji jogavam no time dos azuis e verdes. E ainda tinha o contraste mais ressaltado. Meu filme era o lendário Velvia 50. Um filmaço, saturadissímo, com asa baixa e que respondia muito bem nos dias de sol do nordeste.
Uma vez, eu apresentava um trabalho ao escultor Francisco Brennand e ele contrariado reclamava: “Este azul do céu não existe! Eu não vejo este céu”! E ali ao lado dos Pássaros Rocca do templo da Várzea, ele me deu uma aula de luz. Mesmo assim, eu usei o Velvia até ele sumir das prateleiras. Eu comprava a lata de 30metros. 18 filmes de 36 clicks. Era filme que não acabava mais. Uma alegria pra mim e para João Bitta, o fantástico cronista do cotidiano e melhor laboratorista do Recife.
O fim do Kodachrome é um mau sinal. Ele sai de cena no 1º mundo e leva junto à esperança de termos filmes “cromo” nas prateleiras, pelo menos aqui no Recife. Ultimamente eu só tenho visto aqueles “negativos cor” infames. E eu não suporto filme “negativo cor”!

Acima uma foto feita com o Kodachrome, na saudosa década de 80.






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