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Dona Mariú 15 anos atrás

Terça-Feira, 12 de Maio de 2009 às 10:14:13








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Estrela Brilhante 15 anos depois

Terça-Feira, 12 de Maio de 2009 às 10:13:21



Há 15 atrás eu fui fazer uma matéria corriqueira em Igarassu. Tratava-se de um registro sobre um maracatu muito antigo que lutava para sobreviver, as mesmas dificuldades que todas as manifestações ligadas às religiões africanas e indígenas sempre tiveram. Na verdade, não lembro bem sobre o que era a matéria. A pauta estava imprensada entre outras três. Lembro que na redação tratavam estas pautas como registro fotográfico, uma forma “cientifica” para dizer mais ou menos o seguinte: “Passa lá, rapidinho, faz um boneco, horizontal e vertical, e dispara pra as outras pautas pra não atrasar muito...”
Uma casinha de porta e janela, muito simples e caiada de amarelo. Lá dentro uma senhora bem velhinha remexia um baú de lembranças. Era dona Mariú, herdeira do Maracatu Estrela Brilhante de Igarassu, fundado em 1832 - isso mesmo 1832. Um dos mais velhos maracatus de Pernambuco. Ela falou de uma boneca que teria sido doada indevidamente pela antropóloga americana Catarina Real ao Museu do Homem do Nordeste. A boneca como se sabe é a alma do brinquedo, guardiã de seus segredos e herança de muitas tradições. É um símbolo sagrado.
Eu ouvia a história e admirava a beleza daquele lugar. Aquele amarelo, aquela senhora e aquele sorriso iluminavam a pequena casinha. Havia uma doçura no olhar de Dona Mariú que me encantaram imediatamente.
Ela revirava um velho baú, e desenrolando uns panos, surgiu uma pequena coroa que eu sugeri que ela colocasse na cabeça. Ela sorriu e suavemente me disse: “Você que brincar!!!” Ela pousou a pequenina coroa na cabeça e sorriu. Eu fiz algumas fotos e uma em particular eu guardei. Sempre que a via no arquivo eu lembrava tudo e sorria em segredo.
Ontem eu estive Igarassu e re-encontrei o Estrela Brilhante. A nova sede - ao lado da velha casinha de Dona Mariú –esta quase pronta e abriga também um Ponto de Cultura.
Ao chegarmos lá, conheci os netos de Dona Mariú e sua filha Dona Olga. Organizamos o brinquedo e escolhi umas ruínas ali próximo como locação para as fotos. Como há 15 atrás, eu senti uma incrível sensação de serenidade. Dona Olga, me pegou pela mão e me levou junto ao cortejo de reis e rainhas pelas ruas de Igarassu. Como a mãe, ela brincou suavemente com a boneca e posou para mim numa tarde de luz explosiva e radiante. A simplicidade e a doçura daquelas duas mulheres me causaram uma rara sensação de conforto e tranqüilidade. A mesma sensação sentida no mesmo lugar, apenas separada pela distancia de quinze anos.






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Bruce Davidson e Bob Dylan

Sexta-Feira, 01 de Maio de 2009 às 19:57:23



Esta semana Bob Dylan lançou novo álbum de musicas inéditas. A notícia se espalhou pela internet e junto com as novas canções, o velho bardo do folkrock trouxe para o encarte uma coleção de imagens dos anos 60 de autoria do fotografo americano Bruce Davidson.
Filho de imigrantes poloneses, Davidson esta na linha de influencia de outro grande fotografo americano, o suíço migrado pros EUA, Robert Frank. Com a mesma pegada de Frank, Davidson é um dos anti-heróis americanos, tradutor fantástico daquela sociedade maluca e fascinante. Se Frank perambulou pelos EUA com os beatniks nos anos 50, Davidson fisgou a alma dos anos 60, mais precisamente em Nova York.
As primeiras fotos que vi de Davidson foi num ensaio P&B sobre circos e anões. Depois, descobri um trabalho muito especial sobre a vida dos negros em New York, na 100ª rua Est. Acho que foi um dos trabalhos mais forte que já vi.
Bruce Davidson e Wiliam Klein são em minha opinião, os dois grandes fotógrafos americanos da década de 60. Se a mídia transcodificou Woodstock e os cabeludos no Central Park, estes fotógrafos nos trouxeram as gangues de rua e uma realidade que dificilmente poderia ser re-significada pela indústria cultural. Além disso, as bases para a fotografia de moda dos anos que se sucederam estão coladas nos negativos destes dois caras. O comportamento rocknroll, aquela auto-suficiência juvenil dos adolescentes e claro, as drogas dos freaks, dos becos e os espelhos e molduras de janelas de carros e ônibus, as radiolas de fichas, as jaquetas de couro, e todos os ícones que TODOS os fotógrafos de moda usaram e abusaram pelos 40 anos que nos separam dos incríveis anos 1960. Quando vejo os filmes de Coppolla e Jim Jarmush, vejo Davidson e Klein ali. Rumble Fish, Outsiders, Stranger than Paradise, e todo existencialismo juvenil americano.
Agora, através do sempre antenado Bob Dylan, a indústria Cultural vai olhar pelo retrovisor e trazer para o universo globalizado o maravilhosos trabalho de Davidson. Ele como Frank e como Klein, flertou com o cinema experimental, e esteve muito próximo da música. Aliás, a música e a fotografia sempre foram irmãs, e esta irmandade nos legou muita gente como William Claxton, Bruce Weber, Palumbo, Herman Leonard e muitos outros.
Quando eu comecei a fotografar foi por causa da música, por causa das capas de discos. Na época dos Lps não havia melhor lugar para uma foto. Pena que os Lps acabaram e eu só consegui fazer dois (Da Lama ao Caos e um promo de A Cidade), depois ficaram os reduzidos Cds e a musica virou uma enorme praia do Pina.
Que os ventos de Dylan tragam pra nós mais de Bruce Davidson.






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Capa de livro Bruce Davidson - Gangues do Brooklyn

Sexta-Feira, 01 de Maio de 2009 às 19:51:52








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Bruce Davidson e os anões, 1958.

Sexta-Feira, 01 de Maio de 2009 às 19:49:50








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Bruce Davidson e os negros americanos e as janelas de ônibus, 1963

Sexta-Feira, 01 de Maio de 2009 às 19:41:45








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