Foram 17 anos seguidos de cobertura fotográfica de carnaval. Primeiro nos jornais, depois no Projeto Lambe-Lambe, depois “freelas” pra aqui e pra acolá. Um ano acompanhei o prefeito João Paulo e nos últimos três, cobri o tal carnaval Multicultural do Recife pro site de notícias UOL.
Este ano pisei no freio. Encerrei o trampo “à vera” logo após o vôo do Galo, e só o fiz pra não passar em branco. Me mantive bem longe de tudo que fosse carnaval. Só abri exceção pro show de Junio Barreto no Pátio de São Pedro na segunda. Mesmo assim, o show, eu não vi, a chuva não deixou. Fiquei ali na ante-sala do inferno no Bar do Sargento. Presentes, a seleção Paraguaia e a Boliviana, numa verdadeira copa Libertadores das Américas de fuleiragens.
Mas o que eu senti foi uma sensação de alívio nestes dias de carnaval. É que a chuva deve ter maltratado quem estava fazendo cobertura, e apesar de vários Festivais de Inverno embaixo de frio e chuva, eu me considerei um cara de sorte. Não tanto pelo equipamento, mas pelo velho corpo moído de tantas roubadas.
O Carnaval do Recife virou de uns anos pra cá um festival de shows. Para os fotografos pode ser até mais confortável ficar ali no “reservado” à imprensa, mas o resultado é previsível e monótono. Corre pra fazer e corre pra transmitir. De manhã, de tarde, de noite e de madrugada. Seis dias praticamente sem dormir. Mas a foto fica ali a disposição, com luz e misencenes ensaiadas. Pro cara errar é preciso ter muita vontade. Isso sem falar na maldita praga dos camarotes, símbolo máximo da imbecilidade humana.
Folheando os jornais locais vi poucas fotos legais, e me lembrei que na rua a coisa é muito diferente. É difícil sair atrás de uma foto no meio daquele mundo de gente. Uma foto que chame a atenção, que não se pareça com todas as outras. No JC uma foto do Guga Matos me deu o estalo. Em primeiro plano um cortejo e atrás o Marco Zero tomado de gente. Tudo bem composto, uma luz bonita. São poucas as fotos que chamam atenção no carnaval. A maioria é um grande lugar comum. É certo que as edições dos jornais no carnaval são pobres e de fazer chorar. Enchem de fotos, mas todas se parecem. Um grupo fantasiado, uma criança de cara pintada ou nos ombros do pai, um super-qualquer-coisa, a multidão...
As fotos legais são um misto de sorte, concentração e estar no lugar certo. Definitivamente, os jornais não ajudam com suas pautas previsíveis. E o lugar certo já não me parece ser embaixo de um palco. No próximo ano, se a falta de grana não me empurrar pra mais uma cobertura tipo olimpíadas de todos os palcos, eu vou cair nas beiradas do carnaval, em busca da alma carnavalesca, um detalhe ou instante que me faça gritar em silencio: Que foto do caralho!!!!!
Kati (kprazim@ajato.com.br) Fred, como sempre, arrasando nas fotos. Lindas, lindas, lindas. A série de carnaval está arrepiante e essas dos meninos me deixou emocianada. Um beijo grande e bom carnaval.
beto normal () adorei essa cartela de cores!
eu quero!
Zilma () Não me canso de ver essa foto. Ela é linda demais. A minha predileta, embora você faça tantas maravilhosas. Lembra-me um quadro pintado por Friedrich August von Kaulbach em 1892, com as crianças dos Pringsheim (Katia, uma delas, viria se tornar depois a mulher de Thomas Mann).
Sem julgar valores, uma coisa ficou me encafifando o juizo. Vic trabalha com imagens já consagradas pelo publico. Re-processa estas imagens, se apropria e as re-trabalha, transforma esta imagens em novas imagens e as coloca no mercado de arte com edições limitadas (6 ou 7 cópias) a preços estratosfericos. 30 mil dolares, ou mais. Tudo legítimo. Só que dá um nó em Adorno e e na escola de Frankfut. Talvez esteja aí a grane sacada de Vic Muniz.. Tudo que se é sólido se desmancha no ar.....
Afonso (zeafonsojr@gmail.com) - Desmancha no ar. É verdade. Mas pode pagar com cartão de crédito para ajudar o Vik a tomar a sua champanhe, que não tem problema nenhum.
Catadores de Lixo - Vik Muniz
Terça-Feira, 03 de Fevereiro de 2009 às 14:03:02
Esta imagem faz parte de uma série produzida no Rio de Janeiro. Na exposição do MAM há vídeos mostrando a realização da montagem da imagem em um galpão.
Veja mais de Vik Muniz no site do artista:
www.vikmuniz.net
Kati (kprazim@ajato.com.br) Fred, vi o Vik pela primeira vez na Paralela de uma Bienal, não vou lembrar o ano, claro. Mas quem primeiro me falou dele foi o Moacir dos Anjos. Eu ADORO o trabalho dele, desde esse dia. Já vi várias exposições aqui em Sampa e devo ir para a retrospectiva que depois do Rio virá para cá. Beijão.
A cidade do Rio de Janeiro recebe neste começo de ano uma mega exposição do escultor e fotógrafo Vik Muniz. Praticamente toda a cidade foi invadida por anúncios da exposição, um tratamento de pop-star. Ao contrário de Recife, o Rio não possui outdoors emporcalhando a cidade. Displays modernos em pontos de ônibus receberam cartazes padrão do tamanho de um cartaz de cinema com fotos (auto-retratos) de frente e verso do artista. No sábado, 24 de janeiro encarei uma enorme fila para visitar a exposição no MAM. Valeu à pena!
Já tinha visto uma exposição do Vik aqui em Recife, no MAMAM. Inclusive com a presença do artista para a abertura e palestra na FUNDAJ. Não pude assistir toda a conversa, pois a lotação estava esgotada. Mas pude bater um papo rápido com ele na praia dos Carneiros durante aquele verão.
A exposição no MAMAM era uma pequena retrospectiva e saí da mostra impressionado com a qualidade das cópias fotográficas, quase todas em Cibacrhome, não tanto com o trabalho. Sempre torci o nariz para aqueles desenhos com molho de macarrão e calda de chocolate. As imagens retrabalhadas com confetes e restos de terra e pontas de cigarro eram realmente muito legais, mas nunca me empolguei tanto com o trabalho dele.
Nesta mostra no Rio pude ver uma retrospectiva bem maior, mais completa e com textos mais profundos. Consegui entender melhor sua ligação com o processo de representações e com a ligação direta com o trabalho de Andy Warhol. Os novos trabalhos em dimensões gigantes são fantásticos e as cópias são espetaculares. Ele usa um processo chamado Chromogenic Print e me parece bem melhor que os já fantásticos Cibachrome.
Uma coisa que me ajudou a entender o trabalho de Vik Muniz é a sua relação com a re-criação, re-leitura, e re-processamento de imagens já assimiladas pelo grande público. A reflexão sobre a massificação de imagens e a apropriação de outras obras – ele recria suas imagens diretamente de outras imagens – é uma boa discussão para os próximos anos nas artes contemporâneas. Acho que o que me fez gostar muito da exposição é que ele é um escultor que usa a fotografia como SUPORTE, faz isso com qualidade e técnica, ao contrário de outros artistas que teimam em se apropriar da fotografia sem saberem o que estão fazendo.
Ontem, estava em casa com minha filha de cinco anos e estávamos vendo um programa na TV Discovery Kids chamado Art Attack, o cara fazia escultura com panos e objetos plásticos, montando paisagens em grandes dimensões. Lembrei do trabalho do Vik Muniz. Não há nada de tão novo na técnica, só que ele a usa muito bem, e claro, o tal conteúdo é o que importa. Acho que minha filha iria gostar muito da exposição de Vik Muniz.